Quem compra imóvel na planta costuma se deparar com um termo que gera dúvida e até susto no extrato bancário: juros de obra, também chamados de juros de evolução de obra.
Esse processo ocorre entre a assinatura do contrato e a entrega do empreendimento e, se não explicarmos bem esses pontos, eles podem criar a sensação de que o financiamento ficou mais caro do que o combinado.
Entender como funcionam esses encargos é essencial para tomar uma decisão consciente e planejar o orçamento ao longo da construção. Em vez de encarar os juros de obra como uma surpresa, o ideal é enxergá-los como parte natural da estrutura do financiamento em imóveis na planta.
A seguir, explicamos o que são esses juros, em que momento há a cobrança, a lógica do cálculo e como se previnir.
O que são os juros de evolução de obra
Os juros de evolução de obra são os encargos cobrados pelo banco sobre o valor que já foi liberado para a construtora durante a fase de construção do empreendimento.
Funciona assim: quando você financia um imóvel na planta, o banco não entrega todo o dinheiro de uma vez. O valor vai sendo repassado à incorporadora por etapas, conforme a obra avança. Sobre esse montante já liberado, o banco cobra juros, porque esse dinheiro já está em uso, mesmo que você ainda não esteja morando no apartamento.
Para o cliente, isso se traduz em prestações menores e temporárias, compostas basicamente de juros, sem amortizar o saldo devedor. É por isso que, nesse período, o valor principal do financiamento praticamente não diminui, ainda que você esteja pagando todo mês. A amortização de fato começa depois da conclusão da obra e da fase de averbação do imóvel.
Em muitos contratos, esses encargos aparecem no extrato com nomes como juros de obra, juros de evolução ou encargos de construção. O ponto mais importante é entender que eles fazem parte do modelo de financiamento em imóveis na planta, e não de uma cobrança extra aleatória.
Quando esses juros são cobrados?
O banco cobra os juros de obra no intervalo entre a liberação do financiamento para a construtora e a conclusão formal da obra. Na prática, isso costuma acontecer desde a assinatura do contrato com o banco até a obtenção do habite-se e o registro do empreendimento.
Enquanto a obra está em andamento, o banco vai liberando os recursos em etapas, de acordo com o cronograma físico e financeiro do projeto. A cada nova liberação, a base de cálculo dos encargos aumenta, já que há mais capital em uso. Por isso, é comum que o valor dos juros de obra cresça ao longo da construção, mesmo que a taxa de juros seja a mesma.
Quando o empreendimento é concluído e regularizado, o financiamento entra em uma nova fase. A partir desse momento, o banco deixa de cobrar os juros de obra e passam a ser cobradas as parcelas definitivas do financiamento, que incluem juros e amortização do saldo devedor.
É nesse ponto que muitas famílias sentem a transição mais forte no orçamento, especialmente se pagavam aluguel durante a obra.
Em alguns casos específicos, há campanhas em que a construtora assume parte ou a totalidade dos juros de obra por um período. Mesmo assim, é fundamental ler o contrato com atenção para saber exatamente até quando vale esse benefício e o que acontece depois desse prazo.
Como é feito o cálculo dos juros
Embora cada banco tenha sua forma de detalhar o extrato, a lógica de cálculo dos juros de obra costuma seguir a mesma base:
- o banco aplica a taxa de juros contratada sobre o valor do financiamento já liberado para a obra;
- essa cobrança ocorre mês a mês, de forma proporcional ao saldo que está em uso;
- quanto mais a obra avança, maior a base de cálculo de juros.
Em termos simples, se você tem um financiamento aprovado de um valor total, mas o banco liberou apenas metade até aquele momento, os juros de obra vão incidir sobre essa metade e não sobre o valor completo. À medida que o banco aprova novas medições e repassa mais recursos à construtora, aumenta o valor sobre o qual incidem os juros.
O que muda de um banco para outro é a forma de apresentação e o detalhamento no extrato. Em alguns casos, os juros de obra aparecem como uma prestação única. Em outros, podem vir destacados como encargo de evolução, seguro e outros componentes.
Por isso, antes de fechar o financiamento, vale pedir que o gerente ou correspondente bancário mostre simulações específicas da fase de obra, indicando faixas aproximadas de valores ao longo do tempo. Assim, você consegue se preparar melhor para essa etapa, em vez de receber cobranças não antecipadas.
Diferença entre juros de obra e amortização
Uma confusão comum é achar que os juros de obra já estão abatendo o saldo devedor, como acontece nas parcelas tradicionais do financiamento. Na maioria dos casos, não é isso que ocorre.
Durante a obra, o que você paga mensalmente é basicamente o custo do dinheiro que o banco já colocou no empreendimento em seu nome. É como se fosse um aluguel desse capital, enquanto o imóvel ainda está em construção. O valor principal da dívida praticamente não cai nessa fase.
A amortização, por sua vez, é o processo de reduzir o saldo devedor do financiamento. Ela acontece de forma mais clara depois que a obra termina e o contrato entra na fase definitiva, com parcelas compostas por juros e amortização. Em cada prestação, uma parte vai para juros e outra parte abate o principal.
Entender essa diferença é importante para ajustar expectativas. Se você olhar apenas para o extrato durante a obra e esperar que o saldo caia rápido, pode se frustrar. O ideal é enxergar a fase de juros de obra como uma etapa de transição, que antecede o financiamento para valer.
Dicas para se planejar e evitar surpresas
Como os juros de obra são temporários, mas podem pesar no orçamento, a melhor estratégia é se antecipar. Algumas atitudes ajudam muito:
- incluir esses encargos no seu planejamento desde o início, considerando que haverá um período em que você pode pagar aluguel e juros de obra ao mesmo tempo;
- entender, na simulação com o banco, qual é a projeção de valores ao longo da obra, ainda que aproximada, para ajustar o orçamento;
- manter uma reserva financeira específica para essa fase, evitando depender de crédito caro para cobrir os encargos mensais;
- acompanhar de perto o andamento da obra e a comunicação da incorporadora sobre etapas de evolução e prazos de conclusão;
- sempre que possível, usar recursos como FGTS ou entradas extras na virada da obra para reduzir o saldo devedor antes do início da fase de amortização.
Outro ponto importante é alinhar expectativas com o corretor e com o time da incorporadora. Pergunte explicitamente sobre os juros de obra, quando eles começam a ser cobrados, se a construtora assume parte dos encargos em algum período e como isso aparece, na prática, na relação com o banco. Informação clara no começo evita sensação de surpresa mais à frente.
Conclusão
Os juros de obra são parte natural do financiamento em imóveis na planta, mas só deixam de ser motivo de preocupação quando entendidos.
Saber que eles incidem sobre o valor liberado para a obra, que são temporários e que antecedem a fase de amortização ajuda a organizar o orçamento e a tomar decisões com mais segurança.
Quando você se planeja para esse período, simula cenários com o banco e escolhe empreendimentos de incorporadoras sólidas, a experiência de compra fica mais transparente e previsível.
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